É provável que você adore cães. Muito provavelmente você adoraria saber que uma pessoa salvou um cãozinho de uma ‘crueldade sem tamanho’. E se essa pessoa fosse uma militar britânica em plena guerra no Afeganistão? E se o pobre cãozinho tivesse sido salvo das mãos das perversas criancinhas afegãs? Ora, que boa manchete, não? Não. Definitivamente, não.
Me custa crer que determinado segmento da imprensa subestima a opinião pública dessa forma. É infantil, pra não dizer tosco, requentar uma matéria tão sem propósito por uma tentativa desesperada de dizer que os soldados são bons e as criancinhas afegãs (bem como seus pais) são más, até com os cãezinhos.
Em meio a um dos maiores escândalos de vazamento de informações confidenciais do exército americano, o cãozinho Reorg vem à cena do crime para redimir o exército e seus aliados das acusações de possíveis crimes de guerra praticados no Afeganistão.
Os documentos obtidos e publicados pelo site Wikileaks relatam inúmeros erros, omissão de informações do exército americano durante a malfadada guerra contra o terror e talvez crimes de guerra. O Terror nutre o espírito dos dois lados.
Milhões foram gastos na guerra iniciada por George W. Bush e continuada pelo atual presidente americano Barack Obama. Agora, milhões deverão ser gastos para tentar ‘consertar’ o estrago na imagem dos Estados Unidos e aliados, causado pelas investidas de guerra de suas tropas.
De tudo, nos resta como conforto, se é que é possível, saber que as informações que vieram à tona e que provavelmente desencadearão uma profunda reforma nos métodos militares americanos, foram uma vitória da sociedade civil contra o sepultamento (mais que omissão) de informações que deveriam ser repassadas ao público. Não estamos falando de estratégias militares, mas de vidas humanas. Omitir morte de civis, equívocos de alvo de ataques e que o Talibã está mais forte que no início do conflito não é propriedade do exército aliado, ainda que ele seja o principal agente da guerra.
O pior de tudo isso é saber que o cão Reorg é apenas o primeiro mascote aliado às tropas americanas no Afeganistão. Quem sabe amanhã apareça um gatinho, um pardal, um polvo…
Ah, só a título de curiosidade: Reorg foi alimentado com uma dieta a base de mingau de aveia e apresuntado enlatado. Além disso, foi levado para o Reino Unido a um custo de 3.500 libras (9.600 reais, aproximadamente).








E a atualização do blog??